O mito do progresso

segunda-feira, 5 de outubro de 2009 Leave a Comment

LUCASOLIVEIRA

Num mundo repleto de tecnologias avançadas, uma mídia global especializada em atrair ao consumismo, tenta nos convencer que estamos em uma era de imenso progresso. Porém o século 20 foi o mais violento da história registrada, devido o grande número de mortes causadas por guerras durante esse período.
No Rio de Janeiro e São Paulo, morrem mais civis do que nas guerras localizadas. Falando em guerra, esse termo ampliou-se, pois nesses estados citados anteriormente, há “guerra contra droga” e “guerra contra o terror”. A sociedade está cada vez mais hostil e, de quem é a culpa dessa agressividade? Dos padrões hollywoodianos, que interferem discaradamente no comportamento da sociedade. São aqueles filmes onde o mocinho usa sem limite todos os tipos de drogas.
Uma pesquisa revelou que uma hora de programação típica de TV norte-americana contém de 3 a 5 atos violentos. O sociólogo Monique Dagnaud recomendou ao seu governo (da França) muito cuidado com os efeitos da propaganda em crianças de 4 a 12 anos, fortemente influenciáveis. Na França, nessa idade, elas assistem a quase três horas de TV por dia.
Quem não se lembra da propagada dos cigarros Hollywood, Marlboro ou até mesmo daquele cigarrinho de chocolate? Pois é, incentivavam a criança e o adulto a ter o vício do cigarro. Tiraram as propagandas do cigarro do ar, porém ainda continua a incentivar pessoas, nos filmes americanos, onde fumar é chique – ou parece ser.
E não é só esse tipo de propaganda, há ainda os programas da televisão que não levam a nada, a não ser uma discórdia de opiniões. É preciso considerar ainda, que a criança muito pobre é exposta à mesma propaganda que a criança rica. E quando as mensagens explícitas ou subliminares associam afeto e sucesso a produtos, quem pode comprar o faz; quem não pode, acumula frustrações; ou, em casos extremos, pratica a violência. O maior número de roubos, segundo pesquisa na Febem paulista, foi de tênis ou camiseta de grife.
Com toda essa parafernália digital como TVs digitais, celulares, sensores automáticos e mágias da eletrônica e da computação, estamos criando um mundo mais violento e cruel. É preciso rever o conceito sobre progresso, porque como nós estamos, não parece ser um avanço de cultura, idéias e opiniões, mas sim um avanço tecnológico – e nada mais.

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